Letras 3

Não Sei

 

Não sei

Não preciso sempre saber

Crer

Ver as coisas como são

Seu cão

Danado arredio

Lírio

Mudar os rumos de uma vida

Não sei se é possível

Mudar a vida por um rumo

Não sei se será possível

Incrível

Não sei daquilo

Não sei ver aquilo

Quando tu passas

Sinto gosto de uva passas

Já passou

Não sei se vou

Não sei se estou

Não sei se gostou

Não sei!
 

MENTTIRAS

 

Mentiras são contadas

Denotadas

Espalhadas

Ninguém as seguram

Precisamos delas

Sem elas

Não suportaríamos a nossa realidade

Onde há pouca solidariedade

A fofoca vem à frente da fraternidade

Comunidades de mentiras

Artificiais

Fingem terem credo

Vão à igreja contar mentiras

Não vivem os evangelhos

Pois pensam enganar...

A quem?

A quem?

É preciso ter consciência

Vivência

A tolerância se constrói

Somente onde não há

Mentiras malditas

Hipócritas

Fétidas

As mentiras são

Sob juramento dizem falar à verdade

Nos tribunais

Os fatos revelam e constatam

Foram ditas mentiras

Mas até quando?

Por quanto?

Valem as mentiras!

A quem querem enganar!

A quem querem maltratar!

A quem querem iludir!

A quem querem persuadir!

Chega de mentiras!

 

ILUSÕES

 

Ilusões

Desilusões

Dúvidas cruéis

Dívidas impagáveis

Criadas pela dificuldade

De ver a verdade implícita

Na política

Polícia

Trabalho

Consumo exagerado

Desqualificado

Predicado

Aliás

Pecado

Fado

Fardo

Ilusões de um caminho

Onde vinho

Embebeda

A ressaca do dia

Compromete o desenvolvimento

Deste dia

Entedia

Das conseqüências

Das ilusões.

 

VENTOS

 

Ventos

Ventos

Ventos sopram a todo instante

Constante

Não páram

Parecem enfurecidos

Enlouquecidos

Talvez haja esta relação

Pode ser improvável

Desconsiderado

Os fatos mostram

Demonstram

Causam estragos

Destelham casas

Empoeiram cidades

Refrescam do calor de um dia quente

Ventos

Sem eles as chuvas seriam mortais

Ventos

Fatais

Ventos

Necessários aos velejos

Desejos

Incontroláveis

Ventos

 

 

“Tá” na hora

O cara!

Faça-se enxergar

Tolos

Medíocres

Indesejáveis oportunistas

Não é preciso ser banal!

Calem-se

Veja

E não esteja

Não seja

Mais um...

 

Desprezo

 

Um dos males do mundo

Das comunidades

Rejeitar sem ter compaixão

Humilhar

Maltratar

Na frente de onde for

Causar na vítima a culpa de sua existência

Falir

Como ser humano

Contaminar outros no mesmo sentimento

O coletivo é mais eficaz

Destrói sem dar chances

O desprezo veio para ficar

Só aceita

Quem não conhece o significado da vida

Cai Fora

 

Cai fora

Sai fora

Desta bosta

 

Corrupção maldita

Indignidade sem fim

Hipócrita culpado

Seu ladrão descarado

 

Cai fora

Estes caras não são dignos

Da tua atenção

São vagabundos incontestáveis

E dizem serem trabalhadores

 

Cai fora

Antes que seja tarde demais

Mudar o destino

E não entrar nesta fossa

Da bosta que lá está!

 

Sem dignidade não se vive

Sem honestidade não se vive

Sem lealdade não se vive

Sem piedade não se vive

Quem não percebe isto

Tem de cair fora

 

Cai fora

Sai fora

Seu corrupto

 

Cai fora

Sai fora

Seu ladrão de almas

 

Cai fora!

 

A Rua

 

Foi na rua em frente a minha casa

Vi tu passares por mim

Sem ao menos um olhar

Seja de desprezo ou de orgulho

Ao menos daria para suspirar

Relembrar os momentos de felicidade

 

E agora

Vou ter de ir embora

Pela rua deserta e arenosa

Sentindo a fricção do vento em meu rosto

Já tão arranhado por ti

E por essa areia venenosa

Areias...

 

Provoca-me

Dilacera-me

Devora-me

Já não tenho carne para sofrer

Apenas crer

Um dia tudo mudará

E cairá

Sobre a tua cabeça

A ruína construída

Destrutiva

 

Mas a rua continua lá

Nua

As folhas não caem mais ao vento

O sol não esquenta mais o caminho

Antes desejado

Cobiçado

Agora calado

Escalado

No sôo sumo

Inaudível aos seres humanos

 

A rua

Fratura

Ruptura

Compactua

As diferenças tua

 

U.

 

U

Letra do bico

Beiço

Som fechado

Encaixado

Fico

Bico fechado

Calado

Calçado

U ao contrário

Ferradura

No aviário

Não há

Do seu U

 

 

 

 
  
 

Ao Amanhecer

 

Este dia amanheceu

Formoso e glorioso

Dia que faleceu

A esperança mantinha o gozo

Vitoriosa

Da luta vindoura e majestosa

Quem pudera lutar ao lado

Dos grandes heróis fictícios

É fato o fardo

Do fracasso não antes almejado

Desejado

Pelos malfadados

Déspotas

Neste amanhecer cinzento

Com tanto vento

Ouvi alguém dizendo

Crendo

Na volta e na revolta

Perdem-se as datas do tempo

Devendo

E vendo

Injustiças aguçadas

Disparadas

Pela arma da inveja

Almeja

Cruel e nefasta

Vida devastada

Arrastada

Quando entardecer

Depois deste amanhecer.
 

INDECÊNCIA

 

A indecência fez a decadência

Nenhum império ou fortaleza sobreviveu

Faleceram pela arrogância

Intolerância

No mundo do ódio

O ópio é o comandante

De um exército fumegante

Com futuro incerto

Decadente

No mundo da paz

O amor é o comandante

A tolerância mobiliza pessoas durante

Antes e depois do diálogo certo

Alucinante

Talvez haja tempo

Poderá haver alguma chance

O sentimento move o desejo de ser limpo

A escolha está ao alcance

De quem queira mudar a indecência

Dê o seu lance.

 

LUTAR

 

Lutar pra quê!

Lutar com quê!

Nem sempre podemos fazer

Aquilo que se passa em nossas mentes

A justiça é cega e demorada

Quando chega é tarde demais

Lutar no ar

Lutar na terra

Lutar pra quê?

Os objetivos movem as ideologias

Elas existem mas precisam de força

Almejada e alcançada

Na luta contra quem?

Contra o quê?

Lutar pra destruir é burrice

Lutar pra confundir é tolice

Lutar pra separar é desagregação social

A essência é sempre o comprometimento harmonioso

Comunitário e social

Lutar é compreensivo quando é feito

Por argumentos

Diálogos

Pra melhorar a civilização humana

Sem destruição

Sem corrupção

Lutar pela dignidade humana

Com determinação

Com empolgação

Lutar!

 

RIO

 

Rio

Calor intenso e bravio

Imagens fatídicas

De comunidades em guerra

Pela terra escondida

Coberta por concreto e asfalto

Assalto

Das vidas inocentes

Condenadas injustamente

Sem julgamento

De uma violência incontida

Sociedade dividida

Partida

Corrupção

Choro

De música a dança

Lágrimas das vidas perdidas

Cedidas

Aos vilões do tráfico

Tolerados

Cumprem necessidades de alguns

Aclamação pela paz desejada

Não alcançada

Dilacerada

Esquartejada

Imagens assistidas

Recados de uma cidade

Convulsão social

Rio

Precisa do brio

Esquecido no interior das almas

De seus cidadãos

 

Encaixar

 

Vamos encaixar o caixa dois

Não há motivo para acreditar

Quem não é transparente e somente

Na tela da tevê.

 

A televisão passa imagens

Mas o responsável é quem fala

Acreditar sem duvidar

É muita ingenuidade credulidade

 

Nas empresas na política

Onde você quiser

Dignidade e honestidade andam juntas

Então vamos lá

 

Encaixar o caixa dois

Fiscalizar o caixa um

Para termos mais impostos

Investimentos sociais

 

Fiscalizar significa ter justiça

Para quem trabalha duro e é do bem

Impedir a corrupção

Tem de ser a meta de todos

 

Encaixar, encaixar, encaixar

O caixa dois

Desprezar, desprezar, desprezar

Os safados e corruptos.

 

Dia de Protesto

 

É o dia de protesto

Manifesto

Liberdade de opinar

Criticar

Sem menosprezar

Falar o que pensa

Movido pela reflexão sem dispensa

Xingar não é considerável

Argumento é tolerável

Indispensável

Sugestão para as comunidades faz-se necessário

Pressagio

É através do protesto

Contesto

Armas não serão necessárias

Ouvir

Agir

Armas de uma sociedade democrática

Sensata

Tolerância é um estado de espírito

Do ser crítico

Protesta

Contesta

Testa as várias possibilidades

Com habilidades

Manifesta

Seus mais íntimos sentimentos

Envolvimentos

No dia de Protesto!

 

Querida

 

Tenho tanta saudade

Daquele tempo que havia liberdade

Nus nadávamos no rio

Nus agraciávamos uns aos outros

Querida

Tua voz tímida

Intimida

Quem não fosse do seu agrado

 

Querida!

Vivemos uma vida

De partilha

Intensa e viva vida

 

Gostosa era a paçoca

Da tia Doca

Deitar à tarde na beira do rio

Lançar o fio

Não pescava

Mas brincava

Assistindo ao pôr do sol

Embaixo do lençol

Quantas aventuras

Maturas

 

Mas um dia chegou ao fim

Foi naquela tempestade

Comunicou-me enfim

Estava namorando um tal de...

 

Querida

Vivemos uma vida

Querida

Sinto tristeza na partida

Querida

Vou embora com a Dada

 

PEÃO.

 

A vida de um peão

Não é fácil

Levanta logo cedo

E vai tratar a boiada

 

No amanhecer do dia

Já no pasto

Montado a cavalo

Vistoria o gado

 

Tem de olhar direito

Curar as bicheiras

Concertar cercas

Contar as cabeças

 

Vida de peão não é fácil

Mas garante a carne no prato

Nem sempre são valorizados

Mas são profissionais importantes

 

Tem de enfrentar todas as intempéries

Seja do clima

Seja do gado

Seja do patrão

 

Peão é um grande laçador

Caçador

Trabalha dia e noite

Domingos e feriados.